terça-feira, 24 de julho de 2007


PROMETEU DESACORRENTADO

De uma causa desconhecida
Via-me atormentado pela visão de muitos livros
Idéias, hábitos, geografias, rituais
O mundo me interessava

Mas não o mundo dos catálogos turísticos
Não o mundo já adjetivado, definido, explicado, parcial
Que eu insistia em não digerir
Não.
Não era o caminho pré-determinado e cartesianizado
Que tantos suam para verem acabar calculadamente...

Na verdade, meu Universo abrangia muito mais
Pois os moldes imaginários, sobre a minha visão das coisas
Eu empenhara-me em arrancar - para sempre
E as intrincadas correntes do Julgamento
Já se havia, há muito, quebrado.

Se milhões vagam em trajetórias de fantoche
Porque haveria eu de arregalar também os olhos?
De bater fotos bestialmente, à procura de importância
Ou supostos consolos a mim próprio?

A grande experiência do meu percurso
Residia em procurar além dele.

O desapego acompanha
E a ele vigiarei, feito eterno a cada segundo
Pois domado, me iluminará
Liberto, refreará meu caminho, no mundo

Em minha consciência, canais foram desobstruídos;
conexões, abertas
E agora eu me via livre, absorto
Absorvido nas quietudes do meu espaço
E então, alguns mistérios acreditava compreender
Pois agora, os rituais místicos de culturas ancestrais
Já não me induziam a porquês racionais (!)
porquês vagos,
Indissociáveis de minha natureza
Mas dos quais eu já aprendera a ter o melhor proveito.
E cada vez mais me admirava!

No meio da selva
Curumins ainda dormem envoltos em peles de onça
Para tornarem-se guerreiros fortes e valentes
Como o grande cacique que as abateu.

E monólitos colossais, de confins desérticos
Ainda hoje são venerados por povos aborígines
Oferendas de primitivo temor
Ainda são postas ao sopé de árvores gigantescas
Em ignotas tribos simbióticas do Tibete
A fim de aplacar a ira de entes desconhecidos
Quando da colheita dos doces, quase inatingíveis
favos da ambrósia.

Haveria eu de pagar um preço
Por ter escolhido como “agente de viagens”
Algo que está muito além da minha própria noção?

[ao viajante}:

Vai!...Mas leve sempre contigo:
Sem intenções, te julgarão de boa vontade
Sem vanglórias, te farão alto-espírito.

Que venhas para se divertir e serás sempre bem-vindo.



Este poema foi escrito numa madrugada, depois de um velório, e até hoje não sei como que o escrevi. Vai ver, foi o espírito do morto...(rsrsrsrrsrssrs) Acabou sendo premiado no concurso da Academia Criciumense de Letras, em 2005.

4 comentários:

_camélia_ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
camila disse...

buuuuuuuuuuuuu...é o morto...kkkkkkk...com todo respeito...mas não é difícil me dar por morta devido ao meu famoso chá de sumiço...bjocasssssss camila

lucianobs82 disse...

"...Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."

Abraço Mestre.

lucianobs82 disse...

Estão devagar as coisas por aqui...
vamos por a mão na massa Guga...
'Fantasticar é preparar a realidade concreta da futura metáfora'