quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Falando, ninguém entende

É engraçado como certas coisas acontecem.
Desde que lancei o meu livro, naquele longínquo 06/12/2006 - minha nossa, como faz tempo! - nunca fui de falar sobre a perda de audição em primeira pessoa. Durante este tempo, escrevi alguns artigos, viajei, palestrei sobre o assunto, etc e tal, mas ao parar para pensar, hoje, vejo que de certa forma tratei a minha DA  com uma certa formalidade, um distanciamento - quase como se fosse uma entidade separada de mim. Mas, como não é, e isso às vezes realmente me irrita (principalmente quando aquela menina jeitosa da padaria puxa assunto com aquela vozinha inaudível), resolvi que tinha que me pronunciar a respeito (não parece mesmo formal?! rs) e acabei escrevendo/publicando/lançando o meu livro.
Quando tomei tal decisão, de certa forma foi um alívio. Por que, como qualquer um que já tenha publicado seu primeiro livro, se sabe que as possibilidades mais loucas automaticamente começam a rodar por sua cabeça, como moscas. E, em se tratando do assunto que eu decidi falar - minha própria surdez - bem, o território era mais desconhecido ainda. E, eu cheguei mesmo a ficar com um certo receio... Por que expor algo que praticamente só dizia a respeito a mim desta forma? Para que abordar um assunto que poderia muito bem ser distorcido depois por alguém que eu nem conhecia? E se isso acabasse me prejudicando? E se?...
Mas nada disso aconteceu.
Na verdade, meu livro só me trouxe alegrias: viagens, pessoas interessantes, contatos profissionais. E hoje, quando penso em todos os meus temores e como nenhum deles aconteceu., apenas posso concluir que foi assim porque o processo todo, assim como a decisão final de publicar, foram  muito ponderados. Porque o manuscrito foi tão exaustivamente revisto ao longo de três anos, as palavras tão pesadas e medidas, que não  mais restava dúvidas de qual era a do meu livro.
E porque, como bom capricorniano ( e nossa  necessidade quase patológica de controle), eu mantive a  coisa  sempre dentro de certos limites,  atento para que o Manual passasse de fato a mensagem a que se propunha.
Foi por isso que,  quando meu livro finalmente saiu e as pessoas puderam conhecer minhas ideias nada ortodoxas sobre o meu próprio déficit auditivo, foi quase como se fosse uma nota oficial sobre o assunto, como um parecer técnico cuidadosamente elaborado para publicação.
Assim, qual foi minha surpresa quando, numa tarde modorrenta na internet, procurando algo que nem eu mesmo sabia lá o quê, me deparo com o blog Crônicas da Surdez
E eu, que de certa forma vivi no ramo da negação - às vezes isso funciona rs - me surpreendi com a forma extremamente pessoal, transparente e divertida que a autora, chamada Paula, trata a sua própria DA.
E, sim, ver a forma espirituosa com que ela discorre sobre situações cotidianas muito parecida com as minhas, me fez bem, a humana necessidade de não se sentir tão só aplacada por textos tão lúcidos e bem-humorados. Ficou curioso? Vai lá : http://cronicasdasurdez.com
Grande abraço e até a próxima!











Um comentário:

Anônimo disse...
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