quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O legado de Jesse Owens

[EMFOCO-Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf *Ano 10*n° 51. Bauru nov/dez 2010]
fonte: britannica.com

Conta-se que, no longínquo ano de 1935, um atleta negro até então desconhecido chegava à cidade de Ann Arbor, Michigan (E.U.A) para competir num evento esportivo local. Seu nome: James Cleveland Owens. Seu sonho: os Jogos Olímpicos de Berlim, que se realizariam no ano seguinte. Para cúmulo do azar, ele havia machucado seriamente as costas ao escorregar da escada bem na véspera da disputa, e foi amparado pelos colegas de equipe que chegou à pista para disputar a prova mais nobre do atletismo – as 100 jardas. Pouco antes da largada, seu treinador lhe disse para tentar fazer a prova inteira, mas que podia parar se viesse a sentir dor. Engolindo em seco, Owens decidiu tentar. Ele “tentou” – e as correu em 9,4 s, igualando o recorde mundial. Feroz como uma pantera, ele decidiu prosseguir na competição; em menos de uma hora, havia quebrado outros quatro recordes mundiais. Na prova de salto à distância, resolveu que um pulo bastava – e, de fato, bastou: a inacreditável marca de 8,06 m só foi superada vinte e cinco anos depois. Ele realizou o sonho de disputar as Olimpíadas, em 1936, e assombrou o mundo ganhando 4 medalhas de ouro e destruindo a crença nazista na superioridade da raça ariana. Ainda hoje, o mito Jesse Owens continua a inspirar atletas do mundo inteiro.


Apesar de já ter visto de tudo na TV, há pouco tempo atrás assisti uma notícia que me pôs estupefato. Um rapaz, desses de academia, insatisfeito que era com o próprio corpo, resolveu ‘turbinar’ os músculos, tomando alguns hormônios, chamados esteroides anabolizantes – para cavalos. Foi o seu fim, e a princípio me recusei a acreditar na veracidade de uma morte tão bizarra. Demorou um pouco, mas quando eu senti de fato a profundidade deste gesto, fiquei bastante contemplativo. Que triste espetáculo é a condição humana, pensei. Mas, depois (aquilo ficou comigo alguns dias), compreendi que somos todos como aquele jovem. Vivemos como se tudo nos faltasse, mas, se tivéssemos um só lapso de clareza de todas as possibilidades e faculdades que possuímos – minha nossa, escalaríamos o Everest a tempo de voltar para casa antes do jantar. Um velho ditado diz que não há nada mais silencioso do que um canhão carregado. Magnífico. Regra geral nós somos todos, sem o saber, verdadeiras bombas atômicas em potencial – infelizmente, ogivas nucleares que pensam e agem como balas de amendoim... Fazemos planos, esperando o dia em que tudo estará perfeito para finalmente pormos nossos projetos em execução – só para descobrirmos, quase sempre da maneira mais amarga, que este dia não existe. Naufragamos antes mesmo de partir...


Dia desses, precisei dirigir um velho automóvel (desconfio que pertenceu ao Henry Ford) – e a experiência, por absurda de simples, me marcou como metal incandescente: eu não só vi, de imediato, o quão bom era meu próprio carro (e como andava reclamando dele!), como compreendi, numa incrível reação em cadeia, de como estava tão bem nos outros setores da vida – saúde, família, amigos, trabalho – embora parecesse, até então, não ter me dado conta disso... Passaram-se os dias, vieram os problemas naturais do cotidiano e, claro, acabei voltando ao estado de rotina, como todo mundo. Mas uma coisa permaneceu: a sensação de que por mais que se conquiste, se enriqueça e que se percorra os caminhos do mundo atrás desta fugidia Felicidade, ela está lá, talvez nem tão escondida assim, num lugar sagrado, dentro de nós. Talvez só esperando um tombo na escada para se revelar... Ou uma volta no quarteirão num velho calhambeque. O que você acha, leitor?


2 comentários:

El Torero disse...

Mestre Guga, que mora em um tugúrio paradisíaco e nem convida os amigos para uma visita. Mas vá lá, não é por conta de não gostares de mim que não continuarei a lhe ter apreço...

Meu poeta, lembro de um conto de um autor americano que vai ao encontro do teu texto...é aquela história do homem que saiu pelo mundo à procura do 'Passaro Azul da Felicidade' que lhe traria, como é de se esperar, a tão almejada Felicidade...após percorrer cordilheiras e desertos, tundras e pampa, planícies e oceânicas ilhas voltou para casa por conta de uma malária diagnosticada por meio do teste da gota espessa, só pra usar umas lembranças dos tempos de análises clínicas, contraída nos confins de Rondonia.
Sentado em sua varanda, morava ele em Sambaqui, curtindo sua convalêscencia, viu pousar num galho da velha figueira amiga um lindo 'Pássaro Azul da Felicidade' e abrindo o peito pôr-se(para fazer uso de uma ênclise)a cantar.
O maroto do bicho que ele tanto procurou vivia em seu quintal...

Taí, podes usar a vontade a parabola pelas tuas palestras mundo afora.
Abraço índio velho.

Anônimo disse...

uahuahuahauha

Só podia ser o bom, e velho e fiel amigo mesmo!!!
Que q é isso rapz, q estória é essa q eu não gosto de vc.
Estou mesmo sem tempo, construindo a minha casa e preparandoa festa para reunir toda a turma da Bola de Fogo, vc vai ver.
E obrigado pela passada no blog!Abraço!

Guga